Os Wingmakers (Os Criadores com Asas) ou Pleiadianos

5 – Terceira Entrevista com Dr. Neruda, por Sarah

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Elaborado por Sarah

 

Esta é a terceira entrevista (foram feitas cinco) que fiz com Dr. Neruda no dia 30 de dezembro de 1997. Ele permitiu que fosse gravada. Mantive essas transcrições exatamente como aconteceram. Não foi feita nenhuma edição e mantive as palavras exatas e toda construção gramatical utilizadas por Dr. Neruda.

(Antes de ler esta terceira entrevista recomenda-se, para um melhor entendimento, que se leiam as anteriores de 27 e 28 de dezembro de 1997.)

 

Sarah:

Boa noite, Dr. Neruda. Podemos começar?

Dr. Neruda:

Sim, quando você quiser.

Sarah:

Uma das coisas que tenho dificuldades para entender em todo esse caso é que o conceito de viagem no tempo sempre me pareceu uma tecnologia bastante fácil de desenvolver. Sei que tenho essa impressão do Star Trek, de vários outros filmes similares e da televisão, mas, da forma como você colocou, isto parece tão difícil de desenvolver que vai ser quase impossível conseguir. Realmente é tão difícil assim?

Dr. Neruda:

Viagem no tempo da maneira como é apresentada nos filmes banaliza as complexidades desta tecnologia, e, viagem no tempo interativa ou BST, como Fifteen definiu, é a mais sofisticada de todas as tecnologias. Todas as demais tecnologias podem ser derivadas dela. Assim, criando BST, se está criando um atalho ou um caminho mais rápido para se obter todas as outras tecnologias. Esta é a razão por que BST é tão difícil de ser desenvolvida.

Ficção científica viola a maioria das premissas científicas que estão relacionadas com a nossa compreensão de viagem no tempo. E BST em particular é uma aplicação extremamente sofisticada de princípios científicos, os quais simplesmente não são expostos na ficção científica, principalmente porque as pessoas gostam dos efeitos e do enredo da viagem no tempo, e pouco interesse tem de entender a ciência que está por trás disso. Assim escritores, especialmente de televisão e cinema, trivializam o grau de complexidade que cerca esta tecnologia fantástica.

Sarah:

Mas você não respondeu minha pergunta. . . teremos sucesso no desenvolvimento do BST?

Dr. Neruda:

Tenho um pouco de dúvida se o Grupo de Labirinto vai conseguir desenvolver o BST. A pergunta é se a longo prazo esta é a melhor opção para a humanidade. Eles iriam demorar semanas para começar os testes iniciais em grande escala assim que desertei. Estava claro para os diretores que BST era uma questão de quatro a seis meses para se ter um teste bem sucedido.

Sarah:

Então qual é o maior obstáculo para se ter sucesso?

Dr. Neruda:

Falando de uma forma simples, é necessário saber se o Grupo de Labirinto tem a habilidade de definir e acessar pontos de intervenção como Fifteen quer, ou seja, que tenha o mínimo de impacto nos eventos relacionados no tempo horizontal. Isto é algo muito sutil e o componente mais importante para esta cadeia inteira de tecnologias.

Sarah:

Você pode explicar isso de forma que um leigo possa entender?

Dr. Neruda:

É uma tecnologia extremamente difícil para se desenvolver: definir o ponto ótimo de intervenção, acessá-lo e voltar sem ser descoberto. Isto significa unir o tempo no nível causal com um mínimo de rompimento. Seria um desafio semelhante a lançar um pedregulho em uma lagoa sem provocar nenhuma ondulação.

Sarah:

Por que toda essa preocupação em minimizar o rompimento? Isto é, no caso do Animus, não são eles que tentam aniquilar completamente a humanidade? Por que deveríamos nos preocupar tanto em interferir no seu tipo de vida?

Dr. Neruda:

Antes de mais nada, o Animus não está vindo para aniquilar a humanidade. Eles estão vindo para controlar a biblioteca genética conhecida como terra. A intenção deles não é entendida completamente, mas com certeza não é matar nossas populações animais ou a espécie humana. Tem mais haver com engenharia genética e como sua espécie pode ser modificada para que possam fazer parte de uma consciência espiritual. Eles querem acesso irrestrito ao nosso DNA a fim de fazer experiências. Além disso, querem colonizar a terra, mas o motivo principal não sabemos.

Na sua pergunta, a preocupação sobre minimizar impactos de intervenção do BST está relacionada com interesses egoístas assim como interesses altruístas. Quando os eventos são alterados ou mudados, eles podem ter consequências não intencionais e imprevisíveis. Por exemplo, nós poderíamos com sucesso desviar o Animus de nossa galáxia, mas no processo, sem querer, os enviaríamos para outro planeta. Este ato teria consequências para nosso planeta que não podemos nem imaginar.

Sarah: Você está falando sobre carma?

Dr. Neruda:

Não. Tem a ver com física e a natureza inerente dos sistemas complexos. Energia causal é eterna. Isso simplesmente salta de evento para evento. Em alguns casos serve de moldura para o evento; em outros, cria o evento. Energia causal é a força mais potente no universo, e quando é redirecionada – em escala global – repercutirá de forma imprevisível e para inumeráveis caminhos.

Sarah:

Portanto este é o problema do BST. . . não saber as consequências na mudança dos eventos? Você está sugerindo que nós podemos até ter sucesso desviando o Animus de nosso planeta, no entanto alguns anos depois seríamos vítimas de alguma outra forma de catástrofe que acabaria com nosso planeta?

Dr. Neruda:

Não, isto não acontece exatamente dessa forma. O sistema de energia que foi redirecionado simplesmente repercutiria no ponto de onde foi redirecionado. Como isto repercutiria é tão complexo que seria impossível predizer a natureza de sua reação. Imagino que isto poderia trazer um cataclismo de algum tipo, o que não significa que a humanidade seria castigada, se é isso o que você está tentando insinuar.

Sarah:

Acho que era isso que eu estava querendo dizer. Mas não é verdade que o carma existe? E se nós mandássemos o Animus para outro planeta através do BST, estaríamos iniciando uma reação negativa para nós mesmos?

Dr. Neruda:

Não. Isso significa que receberíamos uma reação, e a natureza da reação pode ser tão sem conexão com a energia causal redirecionada que ninguém saberia que era uma reação. Esta é a natureza da energia causal: repercute de sua própria força e inteligência; não é uma simples reação a uma ação.

Sarah:

Eu pensava que carma, e até mesmo a física, tinha como princípio que para toda ação há uma reação igual e oposta. O que aconteceu com este princípio?

Dr. Neruda:

Está vivo e muito bem. Somente que não se aplica aos sistemas de energias causais ou para a dimensão de tempo vertical.

Sarah:

Ok, vou evitar outra discussão sobre física em benefício de descobrir por que você pensa que BST não terá sucesso considerando nossa discussão dos últimos minutos.

Dr. Neruda:

É uma das principais razões de minha deserção.

Sarah:

O que você quer dizer com isso?

Dr. Neruda:

Essa questão de incerteza, relativa a sistemas de energia causais, sempre foi o ponto fraco do BST, pelo menos teoricamente. Fifteen acredita saber como administrar isto. Eu não tenho tanta certeza que possa ser administrado, particularmente depois que fui exposto aos Wingmakers e que ganhei um pouco de compreensão na solução deles para negociar com Animus.

Sarah:

Eu sei que você já falou um pouco sobre isto, mas refresque minha memória. Qual é a solução deles?

Dr. Neruda:

Tenho apenas alguns dados, portanto, não vou poder falar de forma definitiva sobre isto.

Sarah:

E qual é a natureza destas fontes?

Dr. Neruda:

Houve uma sessão de RV (Remote Viewing – Visão à Distância) que aclarou um insight. Eu li mais sobre isto na introdução do texto do disco ótico.

Sarah:

Mas este não foi o texto que desapareceu?

Dr. Neruda:

Sim, mas eu armazenei o texto inteiro em minha memória.

Sarah:

Algo mais?

Dr. Neruda:

Eu tive uma comunicação direta com o que eu acredito ser um representante dos Wingmakers.

Sarah:

Como? Quando?

Dr. Neruda:

É uma história complicada, mas Samantha, a RV determinada para o nosso projeto, estava tendo fortes e crescentes conexões com os Wingmakers. Infelizmente, eram tão fortes que Fifteen a encaminhou para um MRP (Memory Restructure Procedure – Procedimento de Reestruturação da Memória). Eu a encontrei um pouco antes do procedimento MRP, e de repente ela começou a canalizar alguém que acredito ser da Raça Central.

Sarah:

E dessas três fontes você tem uma boa ideia de como os Wingmakers planejam proteger sua biblioteca genética?

Dr. Neruda:

Correto.

Sarah:

E o que esta entidade canalizada disse?

Dr. Neruda:

Sua ênfase primária era que nossa tecnologia falharia.

Sarah:

E por tecnologia, significa BST?

Dr. Neruda:

Esta foi minha interpretação.

Sarah:

Portanto, você confia nesta Samantha?

Dr. Neruda:

Definitivamente, não tenho nenhuma dúvida sobre ela. Ela simplesmente era nossa melhor RV, e provavelmente a melhor intuitiva natural que já tivemos dentro do ACIO.

Sarah:

Vamos voltar para algo que você disse há pouco. Eu entendi corretamente que você desertou do ACIO por conta de uma discordância que você teve com Fifteen sobre BST e a solução de defesa dos Wingmakers?

Dr. Neruda:

Sim, foi o principal motivo.

Sarah:

Você pode falar um pouco mais sobre isso?

Dr. Neruda:

Fifteen acreditava que Samantha – nossa RV – poderia colocar em risco nossa missão em função de sua habilidade para manter contato com os Wingmakers. Em duas de três sessões de RV que ela fez, eles detectaram a presença dela, e começaram a questioná-la. Fifteen, assim que teve confirmação que estes seres eram, com grande probabilidade, da Raça Central, ficou alarmado e colocou um fim nas sessões de RV.

Quando lhe perguntei o porquê, ele me pareceu estar apreensivo com a habilidade deles para sentir nosso trabalho no BST, e temia que pudessem acabar com o projeto.

Sarah:

Por quê?

Dr. Neruda:

Porque são seres muito poderosos. O que a maioria das pessoas considera Deus, aumente mil vezes e você estaria perto da gama de suas capacidades e poder que estes seres têm.

Sarah:

Você está dizendo que estes seres são mais poderosos que Deus?

Dr. Neruda:

O problema com sua pergunta é que não sei a que Deus você está se referindo. A concepção de Deus na Bíblia ou na maioria dos livros sagrados de nosso planeta, não tem nenhuma semelhança com a imagem de Deus que tenho na minha mente.

Sarah:

Certo, eu quero voltar a este tópico porque realmente me interessa, mas também quero completar nossa discussão sobre sua deserção. Você pode explicar o que aconteceu?

Dr. Neruda:

Colocando de uma forma simples, eu comecei a sentir que a arma defensiva instalada neste planeta pelos Wingmakers era uma alternativa com mais chances de ser bem sucedida que o BST. Toda a lógica mostrava que isso era verdade. Porém, Fifteen discordava. Ele permitiria investigações posteriores para encontrar os demais locais restantes dos Wingmakers e como conectá-los, mas nunca compartilharia a tecnologia ou qualquer coisa relacionada com a descoberta com o público em geral.

Sarah:

Sua deserção, portanto, estava relacionada com suas diferenças sobre esse caso?

Dr. Neruda:

Sim.

Sarah:

Voltando para o assunto Deus. Fale-me como você define Deus.

Dr. Neruda:

Deus é uma força que unifica tudo, primária e eterna. Esta força é a força original que criou vida de si mesmo para tornar-se tanto o viajante como o caminho. A vida que foi criada foi experimentada muitas vezes até que um portador de alma fosse formado e pudesse carregar uma partícula dessa força para universos exteriores em expansão.

Sarah:

Posso presumir que este portador de alma que você está se referindo é a Raça Central?

Dr. Neruda:

Correto.

Sarah:

Seriam como se fossem anjos?

Dr. Neruda:

Não, a Raça Central está mais próxima dos planejadores genéticos e dos arquitetos do universo. Não são muito bem compreendidos ou conhecidos, até mesmo nas cosmologias mais avançadas dos Corteums.

Sarah:

Assim, posso presumir que se anjos são reais, eles são outra criação da Raça Central?

Dr. Neruda:

Correto.

Sarah:

Então Deus, ou esta força que você descreveu, na realidade não criou nada além da Raça Central, e então voltou para sua “casa” no centro do universo. Isto soa como se a Raça Central tivesse feito todo trabalho.

Dr. Neruda:

A Raça Central simplesmente é uma versão em tempo-trocado (time-shifted) da raça humana.

Sarah:

O que?

Dr. Neruda:

A Raça Central detém o arquétipo genético da espécie humana, não importa que forma tome. Não importa em que tempo viva. Não importa em que parte do universo viva. Este arquétipo é como uma força magnética: atrai para si as versões menos desenvolvidas das espécies. Todas as versões das espécies humanoides são simplesmente versões em tempo-trocado da Raça Central – ou pelo menos essa é a visão dos Corteums.

Sarah:

Espere um pouco. Você está dizendo que eu sou feita do mesmo DNA que a Raça Central? Que eu sou essencialmente o mesmo, sob o ponto de vista genético, somente em um tempo e espaço diferentes? Como isso é possível?

Dr. Neruda:

É possível porque a Raça Central projetou desta forma. DNA não é algo que só transmite características físicas ou tendências. Transmite nossos conceitos de tempo, espaço, energia, e matéria. Transmite nossos filtros conscientes e inconscientes. Transmite nossa receptividade ao impulso interno do pensamento original, e esta receptividade é que define o movimento do ser.

Sarah: O movimento do ser?

Dr. Neruda:

Todos os seres estão em movimento. Estão em movimento em todos os momentos de suas vidas. Se não estão fisicamente em movimento, suas mentes estão em movimento. O subconsciente está sempre em movimento, interagindo com o fluxo de dados de uma pluralidade de mundos projetados pela mente. O movimento do ser simplesmente é um termo que nós usamos no ACIO para definir a bússola interna.

Sarah:

E o que é a bússola interna?

Dr. Neruda:

É o sistema de radar do indivíduo que define seu caminho pela vida, tanto no nível macroscópico como no microscópico, e em todos os lugares intermediários.

Sarah:

Eu tenho um sentimento que esse assunto não tem fim.

Dr. Neruda:

Não é tão complicado assim, Sarah. Pense nas decisões que você toma em sua vida. Quais você diria que foram tomadas em função de fontes externas, quais foram tomadas por você mesma, e quais foram uma combinação de ambas?

Sarah:

Você quer dizer percentualmente?

Dr. Neruda:

Tente, faça uma estimativa.

Sarah:

Depende de que fase de minha vida vou considerar. Quando eu era um bebê, meus pais tomaram todas as decisões por mim.

Dr. Neruda:

Não, isto se aplica em todas as fases, do nascimento até a morte. Somente dê um palpite.

Sarah:

Eu não sei, talvez 40% por fatores externos, 30% por mim mesma, e 30% uma combinação de ambos.

Dr. Neruda:

Então você ficaria surpresa se lhe dissesse que você deposita uma imagem dentro do seu DNA – antes de você nascer – que define seu movimento de ser. E quando este depósito é feito, seu movimento de ser é definido por você. Por ninguém mais. Nenhuma força externa toma sua decisão, uma força externa somente informa e ativa uma decisão já tomada.

Sarah:

Me perdi. Você está dizendo que toda decisão em minha vida já foi tomada antes do meu nascimento?

Dr. Neruda:

Não. Toda decisão causal foi.

Sarah:

Então qual é a diferença entre uma decisão causal e uma decisão normal?

Dr. Neruda:

Pense em quantas decisões que você toma em um dia. Você não concordaria que provavelmente são centenas, senão forem milhares? Estas são – como você coloca – decisões normais. Decisões causais são definidas em quão integrais elas são para a essência do ser individual. Você é receptiva a idéias novas? Você é capaz de sintetizar pensamentos contrários? Sua predominância para processar informação está dentro de um contexto visual ou numérico? Estas são decisões causais que você define antes de nascer, e estão codificados dentro do DNA que ativa sua matriz de decisão. Forças externas como pais, professores, e amigos somente informam o que você já definiu como o movimento de seu ser.

Sarah:

Os Corteums também pensam dessa maneira?

Dr. Neruda:

Isto é parte do que aprendi com minhas experiências com o LERM (Light-Encoded Reality Matrix – Matriz de Realidade de Luz Codificada). No entanto, os Corteums têm uma convicção semelhante.

Sarah:

Você está me falando de uma variação da reencarnação, não está? Quando você disse que nós depositamos uma imagem dentro nosso DNA – antes de nascermos – quem exatamente faz isso?

Dr. Neruda:

Só a consciência pode depositar uma imagem no gabarito do DNA.

Sarah:

Presumo que você está falando sobre alma?

Dr. Neruda:

Depende novamente de sua definição de alma. A consciência sem forma é que observa e experimenta por formas ou estruturas, não somente por incorporações físicas. Por exemplo, consciência pode estar contida dentro de uma estrutura ou forma, mas não existir fisicamente. A mente é uma estrutura, enquanto não é física, consciência – quando encarnada fisicamente – observa através de uma estrutura mental assim como alguém observa através de uma janela. Frequentemente alma é confundida com a mente e vice versa.

A consciência é aquela partícula de Deus que vai se desacelerando da frequência do estado de Deus para a individualidade onde se torna autônoma e exerce o livre arbítrio. Imagine isso como um fóton ou partícula subatômica que é lançada em uma teia de partículas interconectadas de mentes similares (like-mindedness). Isto é, todas as partículas têm uma frequência semelhante ou um ritmo de spin, e são capazes de diminuir sua frequência, no nível que quiserem, a fim de entrar nas membranas da consciência na qual só podem entrar assumindo uma forma. Então o que é sem forma passa a ter forma, entra no corpo, a consciência ativa o gabarito do DNA de acordo com suas experiências desejadas dentro da membrana de realidade que escolhe.

Sarah:

O que você quer dizer por membrana?

Dr. Neruda:

A pluralidade de universos é uma coleção de membranas de realidade, aglomeradas junto a uma matriz dimensional que é responsável pelos circuitos do pensamento e campos de gravidade de nossa consciência. Nós fomos treinados, através do processo evolutivo, para aceitar o mundo tridimensional como nossa realidade. Essas membranas de realidade não estão estruturadas como planos paralelos ou degraus de uma escada, mas como articulações de uma engrenagem de células. Se você quiser, eu posso entrar em maiores detalhes, mas acho que vai ficar tão abstrato que acho que não vai ser fácil você entender.

Sarah:

Tudo isso parece incrível. Eu estou começando a desconfiar se você não é a reencarnação de Jesus ou de Buda.

Dr. Neruda (Rindo):

Eu sou reencarnado, e isso é o máximo que posso atestar.

Sarah:

Você se lembra de suas encarnações anteriores?

Dr. Neruda:

Anterior é um termo relativo. Eu prefiro pensar em minhas encarnações não tanto como uma função da memória, mas como algo mais semelhante a uma hemorragia de uma membrana de realidade simultânea. Os compartimentos nos quais a experiência humana é dividida não são tão restritos a ponto de não permitirem que uma vida entre ou influencie outras. E por experiência própria, estes compartimentos representam momentos paralelos na vida de um indivíduo através de um fluxo de tempo e espaço.

Sarah:

Dessa forma você quer dizer que nosso passado, presente, e vidas futuras estão sendo vividas ao mesmo tempo, embora pareçam estar acontecendo em lugares e tempos diferentes?

Dr. Neruda:

Sim.

Sarah:

Certo, então explique como é possível, porque não faz sentido para mim.

Dr. Neruda:

Nossa consciência é como uma esfera com muitos, muitos raios que partem de seu eixo.

Cada um desses raios se conecta no continuum do tempo vertical através de formas, e estas formas – humanas ou não – alimentam a consciência sem forma com insights sobre as diferentes membranas de realidade onde obtém forma. E deste modo, as formas do “sem forma” trazem o conhecimento das várias membranas de realidade, que por sua vez são processadas pelo “sem forma” e passam pela força da unificação para Deus.

Sarah:

Deus é o recipiente de toda essa informação ou experiência… de toda coisa viva… a todo momento e lugar? Como?

Dr. Neruda:

Não tenho a menor idéia.

Sarah:

Mas isto é o que você acredita, e tenho de assumir que você não acreditaria nisto caso não tivesse alguma evidência que pudesse apoiar sua convicção.

Dr. Neruda:

Às vezes você segue um rastro de evidência até o ponto onde tem um final abrupto, mas você ainda pode imaginar como o rastro continua avançando para uma determinada direção, apesar da falta de provas. Você pode intuir a direção. Chame isso de imaginação ou pura conjetura, não importa, mas é o que eu fiz neste caso. Eu na verdade não sei como poderia ser processada esta magnitude de dados para um propósito útil, mas eu acredito nisto.

Sarah:

Certo, me dê um segundo para revisar minhas notas… porque eu quero voltar para algo que você disse anteriormente. Aqui está. Você disse que cada um define o seu movimento de ser no nível causal. Se é assim, e assumindo que a alma é inteligente, por que uma alma escolheria ter problemas mentais, emocionais ou físicos?

Dr. Neruda:

O que você quer dizer?

Sarah:

Digamos que alma entrou em um corpo, mas escolheu ser obtuso, estúpido. Por que uma consciência inteligente escolheria isto e então imprimiria essas características em seu DNA, tornando assim sua vida mais difícil, ou, no mínimo, enfadonha?

Dr. Neruda:

Deixe-me lhe fazer uma pergunta. Por que Deus faria isso com uma pessoa?

Sarah:

Ah, mas você está começando com a suposição que Deus existe.

Dr. Neruda:

Faça esta suposição e então responda minha pergunta.

Sarah:

Entendo o que você está querendo dizer, mas por que Deus ou a alma impõe estas – pelo menos de meu ponto de vista – decisões estúpidas?

Dr. Neruda:

Tem a ver com sistemas complexos e suas regras inerentes de dinâmica.

Sarah:

Você poderia ser um pouco mais específico?

Dr. Neruda:

Para expandir e no final das contas apoiar a diversidade de formas de vida, o universo precisou de um sistema complexo incalculável de princípios e regras inter-relacionados. Quanto mais complexo é o sistema, mais dinâmicos são seus pólos de interação. Imagine isso como um diamante bruto. Quando você joga um facho de luz nele em um quarto escuro, há só um brilho esmaecido, mas se você lapida o diamante, a luz se esparrama em um padrão radiante para todas as paredes do quarto.

A complexidade funciona de uma maneira semelhante com a consciência, lapida a experiência humana e esparrama a luz de consciência em todas as paredes da experiência, incluindo ignorância, estupidez, maldade, beleza, bondade, e toda outra possível condição da experiência humana. A consciência “sem forma” não é estúpida quando escolhe experimentar algo que nós poderíamos julgar como difícil ou enfadonho. Simplesmente está reconhecendo que a membrana de realidade da terra requer isto.

Ninguém pode viver dentro desta membrana de realidade e ficar intato a esta dinâmica da experiência humana. Ninguém está isento de dificuldades ou dor. Isso prova que tomamos decisões estúpidas? Não, isto só prova que vivemos dentro de um mundo complexo. Isso e nada mais.

Sarah:

Não quero parecer defensiva, mas você não concordaria que alguns têm vidas mais fáceis que outros.

Dr. Neruda:

Sim, mas isso nada tem a ver com a inteligência da consciência “sem forma”. Sarah:

Certo, isto está relacionado com a idade da consciência “sem forma”?

Dr. Neruda:

Você está perguntando se a consciência “sem forma” – assim que ganha experiência – torna-se melhor para selecionar seu movimento de ser?

Sarah:

Exatamente.

Dr. Neruda:

A consciência “sem forma” encara sofrimento e bem estar, da mesma forma como você encara os polos negativo e positivo de uma bateria. Com certa indiferença, eu imagino.

Sarah:

Não faz diferença, é que o que você está dizendo? Tanto faz ser um Einstein como um Hitler? Eu não acredito.

Dr. Neruda:

A escolha não é feita para ser ruim ou mal, ou selecionar um caminho de vida que é dolorosamente difícil para a si mesmo e para outros. Nem no caso de Einstein ele escolheu contribuir para a compreensão da humanidade de uma forma que permitiu a criação de armas nucleares. Na consciência “sem forma” desses indivíduos – anterior a suas mais recentes encarnações – eles não fizeram escolhas para prejudicar ou ajudar a humanidade. Eles fizeram escolhas para experimentar aspectos desta membrana de realidade que contribuiriam para sua própria compreensão.

Sarah:

Assim, você está dizendo que a alma escolhe seu movimento de ser de acordo com seus desejos egoístas? Não se pensa em um bem maior?

Dr. Neruda:

Não é necessário pensar em um bem maior. Isso é o que a força unificada faz.

Sarah:

É uma filosofia interessante. Nós podemos ser tão egoístas quanto quisermos, e deixar nas mãos de Deus o nosso egoísmo e irresponsabilidades, para que Ele as transforme em algo que contribua para o bem comum da humanidade. É isso o que realmente você está dizendo?

Dr. Neruda:

Não. Eu estou dizendo que Deus, trabalhando através de sua força de unificação, orquestra os diferentes tipos de vida a fim de provocar transformação no universo. Deus é como um alquimista cosmológico que transforma interesses egoístas de alguns em condição de transformação para muitos.

Sarah: Então você está dizendo que Deus resolve todas as nossas fragilidades humanas. Nós podemos fazer qualquer coisa, pois ele vai resolver tudo. Se esta filosofia for ensinada em nosso mundo, nós estaríamos bem mal.

Dr. Neruda:

Enquanto isso não pode ser ensinado de um modo formal, a humanidade sabe de forma inconsciente que é assim que funciona.

Sarah:

Neste ponto, eu tenho que discordar de você. Interesses egoístas, más intenções, estupidez… estas não são as características de uma sociedade responsável, e não conheço ninguém que acredita que deveríamos agir desta forma e então deixar que Deus corrija ou remedie nossos pobres julgamentos.

Dr. Neruda:

Você entendeu errado. Talvez eu não esteja explicando muito bem. Deixe-me tentar novamente.

Primeiro, os interesses egoístas da consciência “sem forma” são para lapidar sua consciência de tal maneira que possa receber e irradiar a força de unificação. Assim, pode se tornar conscientemente conectada a esta força e conscientemente se torna um canal para isto em uma vasta gama de membranas de realidade. Agora, a consciência “sem forma” seleciona membranas de realidade para habilitar a lapidagem de sua consciência. Nada disso é feito com uma atitude de contribuição universal ou um propósito nobre. Porém, este não é um resultado de comportamento egoísta como você pensa. É o resultado de sua natureza… o modo como foi projetado.

Eu não estou dizendo que podemos fazer o que quisermos que Deus corrige. Eu estou dizendo que o que consideramos erros não são erros. Novamente, nós vivemos em um sistema complexo de membranas de realidade interdependentes. Você pode pensar nessas membranas como escamas de uma cobra, e a cobra representa a consciência humana coletiva. Cada escama protege a alma humana e, coletivamente, impulsiona através de seu ambiente – neste caso, a pluralidade de universos. Os erros que cometemos individual e coletivamente são tão responsáveis para a existência da pluralidade dos universos, assim como são as contribuições nobres.

Sarah:

Deixe-me ver se entendi bem. Você está dizendo que nossos enganos – tanto como indivíduos como espécie – tornam possível nossa existência, portanto não podem ser considerados como erros?

Dr. Neruda:

Como disse antes, sistemas complexos necessitam de uma gama quase infinita de dinâmicas a fim de sustentar o sistema. Nossa membrana de realidade é moldada para a complexidade de nosso universo que por sua vez criou o ambiente da terra e suas várias formas de vida. Sim, nossos enganos, nossa individualidade, são uma parte central de nossa habilidade como uma espécie para se auto sustentar diante uma estrutura complexa e interconectada a um mundo quântico e ao cosmos. As motivações egoístas colhem a experiência que lapida nossa consciência, que por sua vez são colhidas pela força de unificação e usadas para transformar as membranas de realidade em passagens pelas quais uma espécie pode voltar ao estado de Deus. Os enganos pesam igualmente neste processo, assim como as contribuições altruístas. Nada é perdido.

Sarah:

Se tudo isso é verdade, Por que se preocupar com o Animus ou outra coisa qualquer? Deixa que Deus cuide de tudo.

Dr. Neruda:

Porque Animus não está conectado com a força de unificação.

Sarah:

Por quê? Eu havia entendido que tudo estava.

Dr. Neruda:

A consciência “sem forma” não seleciona portadores de alma que não utilizam DNA como sua estrutura formativa. Sabe-se que estas estruturas não podem se conectar com a força de unificação, portanto, não são confiáveis.

Sarah:

E porque não se pode confiar neles?

Dr. Neruda:

Porque é a força de unificação que traz coerência para a incoerência, e razão para o caos. Sem isto, as estruturas físicas tendem para um fluxo e refluxo em estagnação, o que significa dizer que não se transformam.

Sarah:

Como isto aconteceu?

Dr. Neruda:

O que?

Sarah:

Que Animus se tornou uma raça independente desconectada de Deus?

Dr. Neruda:

Você conhece a história dos anjos caídos?

Sarah:

Você está falando sobre a rebelião de Lúcifer?

Dr. Neruda:

Sim. Esta história está mal contada nos textos Bíblicos, devido ao fato que os autores destes textos não tinham um conhecimento suficiente para definir a cosmologia ou a física.

A Raça Central projetou as mais altas formas de vida, e isto inclui uma extensa gama de seres que operam dentro do mundo quântico e nas membranas de realidade. Entre estes seres estão os que comumente chamamos de anjos, que são intermediários entre os portadores de alma humanoides e a Raça Central.

Havia alguns dentro do reino angelical que acreditavam que a Raça Central estava controlando demais a estrutura do portador de alma. Eles sentiam que uma estrutura deveria ser criada para permitir que os anjos pudessem encarnar dentro da membrana de realidade da terra e em outros planetas de seres vivos. Eles insistiram que isto melhoraria substancialmente estes planetas e a estrutura física do universo. Porém, a Raça Central recusou esta proposta e um grupo de renegados se rebelou e começou a projetar um portador de alma, independente da Raça Central.

Sarah:

Espere um pouco. Você está dizendo que Lúcifer liderou essa rebelião para criar um portador de alma que habitasse o espírito de um anjo, e Animus é o resultado?

Dr. Neruda:

É mais complicado que isso. Lúcifer, ou o que viermos chamar de Lúcifer, era um súdito muito dedicado da Raça Central. Ele era um dos precursores das espécies angelicais; tinha muitos poderes que foram sendo diminuídos pela Raça Central nos protótipos subsequentes.

Sarah:

Você está dizendo que anjos são criados… que eles não podem se reproduzir como os humanos?

Dr. Neruda:

Exatamente. A personalidade de Lúcifer incluía um forte sentido de independência de seus criadores, e uma sensação ainda mais forte que seus criadores haviam falhado por terem insistido que o portador de alma de humanoides portasse exclusivamente a consciência “sem forma” e não a forma angelical. Para Lúcifer, isto parecia inconcebível porque a forma angelical era superior em suas capacidades e poderia ser de grande ajuda às formas de vida física na terra e em outros planetas.

Da perspectiva de Lúcifer, os humanos e as espécies superiores não poderiam se transformar em função dos limites severos de seus portadores de alma, ou formas físicas. Lúcifer sentiu que sem a colaboração dos anjos, humanoides ao longo do universo cada vez mais estariam separados de seu objetivo como seres espirituais, e o universo ficaria em desarmonia, o que eventualmente poderia causar sua destruição e da vida dentro dele – incluindo os anjos.

Sarah:

Portanto você está sugerindo que a rebelião de Lúcifer simplesmente foi uma discordância sobre esse único problema?

Dr. Neruda:

Lúcifer quis encarnar nesta membrana de realidade da mesma forma que os humanos fazem. Ele quis se tornar um colaborador da humanidade para garantir sua ascensão. Quando a Raça Central percebeu suas intenções como sendo nobres, temeram que as encarnações angelicais fossem conhecidas como Deuses para seus pares humanos, e absolutamente sem intenção, enganariam os humanos, em vez de serem co-criadores da escada que os levariam ao estado de Deus.

Houve um grande debate sobre esse assunto, o que originou uma divisão entre o reino angelical e a Raça Central. Aqueles que eram leais a Raça Central defenderam que Lúcifer e seus simpatizantes deveriam ser banidos por suas ideias radicais que potencialmente poderiam criar uma divisão duradoura em sua membrana de realidade, o que causaria uma grande desordem. Lúcifer, em amplas deliberações com a Raça Central, negociou um acordo que o possibilitaria levar seu grupo de simpatizantes e provar o valor de seu plano em um planeta isolado.

Sarah:

Você está dizendo que foi permitido a Lúcifer experimentar sua teoria em um planeta?

Dr. Neruda:

Sim.

Sarah:

Certo, mas antes de continuarmos, gostaria de saber se você está falando dentro de um contexto mitológico ou se esta é a visão dos Corteums?

Dr. Neruda:

O ACIO tem três manuscritos antigos que descrevem esta história de forma alegórica, mas a visão dos Corteums – como você coloca – é muito mais descritiva e definitiva deste evento cósmico.

Sarah:

Assim, Lúcifer conduziu essa… experiência. Onde e qual foi o resultado?

Dr. Neruda:

O planeta está em uma galáxia conhecida por seus cientistas como M51.

Sarah:

Esta é a mesma galáxia de Animus?

Dr. Neruda:

Sim.

Sarah:

Portanto você está dizendo que Lúcifer e seu bando de simpatizantes criaram Animus para serem os portadores de alma para anjos?

Dr. Neruda:

É mais complicado que isso.

Sarah:

Eu espero que sim, pois essa história é muito difícil de acreditar.

Dr. Neruda:

Seja paciente. Nós estamos caminhando por um território muito desconfortável para a maioria das pessoas. Portanto respire fundo e seja paciente comigo enquanto tento explicar.

Lúcifer criou uma estrutura física sintética que poderia se adequar às exigências quânticas de um anjo. Era uma estrutura muito eficaz, mas levava um forte complexo de sobrevivência dentro da espécie, que tornou muito forte a tendência angelical nos aspectos de altruísmo e cooperação.

Sarah:

Por quê? O que aconteceu?

Dr. Neruda:

Quando a consciência “sem forma” entra em uma membrana de realidade por uma estrutura como um portador de alma, imediatamente se sente desconectada de todas as outras forças, a não ser de sua própria força. E literalmente se separa. Em humanos, isto é mais ou menos controlada pela realização sutil que permanece conectada através da força de unificação, e isto porque seu DNA é projetado para emitir este sentimento de conexão subconscientemente.

Porém, no caso do portador de alma projetado por Lúcifer e seus seguidores, esta conexão foi cortada tanto consciente como subconscientemente, pois a estrutura não estava baseada em DNA, que é totalmente controlado pela Raça Central. Consequentemente, esta espécie experimental tendia para um muito forte complexo de sobrevivência, pois temiam profundamente por sua extinção, que é o resultado de um sentimento de completa separação da força de unificação. Este complexo de sobrevivência criou uma espécie que compensava seu medo de extinção com uma poderosa mente grupal.

A mente grupal compensou a perda de conexão com a força de unificação, criando seu resultante físico e mental. Era o equivalente a unificar a espécie como um todo na membrana de realidade física do seu sistema planetário. Assim, os anjos que entraram neste sistema perderam a lembrança de suas naturezas angelicais e se tornaram mais interessados em operar como um todo, do que como indivíduos.

Eles se tornaram uma preocupação para a Raça Central, e foi pedido a Lúcifer que desmantelasse sua experiência. Porém, Lúcifer estava muito ligado à espécie que tinha ajudado criar. Estes seres angelicais tinham desenvolvido ao longo de várias gerações, um quadro muito sofisticado de tecnologias, cultura, e ordem social. Era como uma grande família para Lúcifer. Então negociou para modificar sua criação para não mais usar a frequência angelical ou a estrutura quântica, mas que pudessem se tornar auto animados.

Sarah:

O que você quer dizer com auto animados?

Dr. Neruda:

Que eles se tornariam androides sem alma.

Sarah:

E assim isto aconteceu e isso é que é Animus?

Dr. Neruda:

Sim.

Sarah:

Não faz sentido. Por que iria Deus, ou a Raça Central, permitir que Lúcifer criasse uma raça de androides? Eles não sabiam que estes seres iriam se tornar o flagelo de nosso universo?

Dr. Neruda:

Sim, claro que sabiam. Porém, Deus não projeta algo tão complexo como a pluralidade dos universos, e então controla como as coisas acontecem.

Sarah:

Mas antes você havia dito que Deus orquestra o que acontece através da força de unificação.

Dr. Neruda:

Deus orquestra como a dinâmica da pluralidade de universos forma uma corrente de dados unificados e compreensíveis que pode informar a próxima evolução da pluralidade de universos. A maioria das pessoas pensaria que um Deus todo poderoso baniria uma espécie como Animus, mas isso não funciona dessa forma, porque o lado escuro do predador, como no caso de Animus, estimula a criatividade e a inovação da presa atacada.

Sarah:

E nós somos a presa.

Dr. Neruda:

Não só nós, mas as espécies humanoides como um todo.

Sarah:

O mal gera o bem. É isso que você está dizendo, certo?

Dr. Neruda:

Novamente. Não é mal contra o bem. Animus não se considera malfeitor quando invade um planeta. Sob a sua ótica estão executando o seu plano de se reconectarem ao seu sentido de individualidade e se tornarem – tão estranho quanto possa parecer – mais espirituais.

Sarah: Mas quando eu lhe perguntei se você sabia quais eram suas intenções com o mundo, você disse que não sabia.

Dr. Neruda:

E não sei. Porém, sei algumas coisas sobre suas intenções para reconstruir seus portadores de alma para terem mais conformidade com o DNA. Eles querem introduzir o DNA em seus portadores de alma para transformar sua espécie. Na verdade, isso é o que qualquer raça faria nessas circunstâncias. Na realidade, você poderia até mesmo chamar isto de nobre.

Sarah:

Nobre? Eu não vejo nada nobre quando se quer apropriar de nosso planeta e sujeitar nossos cidadãos a experiências genéticas e a tirania.

Dr. Neruda:

Para nós, não. Mas de um ponto de vista completamente objetivo, pode-se valorizar a atitude de Animus que apenas está querendo melhorar sua espécie. Eles não têm outra escolha, pois sem o DNA, estariam impossibilitados de se conectarem com a força de unificação.

Sarah:

Por que não podem contatar a Raça Central e pedir ajuda?

Dr. Neruda:

A Raça Central está observando Animus atentamente, e o considera o seu inimigo mais poderoso. Talvez os considere sem condições de salvação. Ou talvez a Raça Central conviva com o problema de ter um inimigo antigo que os força a proteger o seu mais valioso patrimônio. Eu realmente não sei. Mas seja lá qual for a razão, a Raça Central não pode ou não está disposta a ajudar Animus a se reconectar na força de unificação.

Sarah:

De qualquer forma o que aconteceu com Lúcifer e seu plano?

Dr. Neruda:

De acordo com os Corteums, ele está vivo e muito bem. Completamente reintegrado em sua espécie, e exerce um alto posto.

Sarah:

Só para deixar claro, nós estamos falando de Satanás, não é verdade?

Dr. Neruda:

Os teólogos ficaram com uma colcha de retalhos de mitos e lendas, e ao longo do tempo ainda colocaram suas próprias interpretações. O que nos sobrou é pouco mais do que ficção de milhares de vozes, mas isto de alguma maneira consegue ser conhecido como fato.

Satanás, como o imaginamos, nunca existiu. Não há limites para Deus. Deus circunda todas as dinâmicas. Não há polaridade de si mesmo que esteja além de seu alcance, ou personalizado fora de si mesmo. A história de Lúcifer – em um nível mais alto – foi descrita a você. Presumo que você pode perceber certa semelhança com a versão da rebelião de Lúcifer descrita na Bíblia, mas a correlação, eu estou seguro que você admitiria, no mínimo é dispersa.

Sarah:

Mas se não há nenhuma fonte do mal, por que o mal existe em tal abundância? E antes que você responda, eu sei que vai discordar com minha suposição que mal existe, mas como se pode chamar terrorismo ou qualquer outra força predatória contra a humanidade como algo além de mal, até mesmo se Satanás nunca existiu como você diz?

Dr. Neruda:

Se você assiste a filmes como Star Trek, eles insinuam que extraterrestres povoam todo sistema planetário na galáxia e muito além. Mas isso não é verdade. Nosso planeta é uma extremamente rara combinação de animais e organismos. O universo que comporta nossa membrana de realidade física é na realidade hostil a vida – em um nível extremo. E mesmo assim a vida conseguiu emergir de alguma forma em nosso planeta nas profundezas de nossos oceanos.

Sarah:

O que isso tem a ver com minha pergunta?

Dr. Neruda:

Seja paciente, eu chego lá. Eu prometo.

Sarah:

Ok.

Dr. Neruda:

As zonas habitáveis dentro de nosso universo seriam parecidas como extrair uma gota de água do Oceano Pacífico a cada milha cúbica, e definindo isto como a única parte do oceano que continha todas as condições potenciais para suportar vida microbiana. Então, extraindo uma única molécula de cada destas gotas de água, e definindo isto como a única parte da gota que poderia sustentar vida multicelular. E de cada uma destas moléculas, extraindo uma única partícula quântica e definindo isto como a única parte da molécula que poderia sustentar formas de vida complexas, sensíveis, como formas humanas.

A biblioteca genética que se desenvolve na terra é algo fantástico, algo que não tem preço. Tudo que posso dizer é que seu valor excede a qualquer coisa que o pensamento humano possa imaginar. E com este valor incrível, nosso planeta atrai o interesse de uma gama muito grande de raças extraterrestres, e tanto isto é verdade hoje como foi mil anos atrás ou há cem mil anos.

Objetos raros e de valor inestimável, como a terra, atraem seres de fora de nosso sistema planetário que desejam controlá-lo, o que faz a terra um objeto extraordinário de atração. É exatamente esta atração que trouxe os conceitos de mal para nossa psique.

Sarah:

Eu consegui entender até a última sentença e daí em diante me perdi. Como esta atração trouxe o mal para nossa consciência?

Dr. Neruda:

ETs agressivos, procurando por seu próprio mundo, visitaram nosso planeta aproximadamente onze mil anos atrás.

Estes ETs trouxeram sua genética para nosso DNA nativo, e consequentemente, modificaram nosso DNA humano acrescentando um elemento mais agressivo e dominador em nossas personalidades. Esta predisposição dividiu a espécie humana entre os conquistadores e os conquistados.

Sarah:

Não entendi. Você está dizendo que ETs impregnaram milhares de nossa população nativa com um gene agressivo que trouxe o mal para nossa consciência?

Dr. Neruda:

Estes ETs não eram muito diferentes na sua forma física dos humanos nativos, e foram tratados como Deuses por conta de suas capacidades e tecnologias superiores. Era considerada uma grande honra ter relacionamento com estes seres, mas somente alguns foram selecionados.

Sarah:

Então, como o DNA deles tornou-se tão influente que literalmente trouxe o mal para nossas vidas?

Dr. Neruda:

Uma das propriedades do DNA, que ainda está para ser descoberta é que pode comunicar características, particularmente características de agressividade, sem interação física.

Sarah:

Explique, por favor.

Dr. Neruda:

Há circuitos dentro do DNA que transmitem características e até mesmo formas de inteligência por uma membrana de realidade que é subquântica. É um ingrediente auxiliar da força de unificação que propaga características novas e compreensões em grande escala. Isto é o que habilita a transmissão de um novo insight ou uma característica potente através do espectro de uma espécie que ressoa com o insight ou característica, e faz isto sem interação física.

Sarah:

Você está dizendo que uma única pessoa poderia ter uma ideia ou uma característica que é depositada dentro de seu DNA, e então o seu DNA transmite esta característica como uma torre de radiodifusão e todo o mundo no planeta seria afetado?

Dr. Neruda: Deixe-me esclarecer algumas coisas que você disse.

Primeiro, não é uma pessoa. É necessário uma massa crítica de centenas de pessoas com uma característica de personalidade para transmitir, e talvez somente dez ou vinte para transmitir um conceito novo ou insight. De qualquer forma uma só pessoa não é suficiente. Isto é não uma ciência exata ainda, até mesmo para o ACIO.

Em segundo lugar, não é transmitido através de uma torre de radiodifusão. É transmitido seletivamente para o DNA receptor, e o efeito que tem, não depende se o receptor é igual, ou similar, ao difusor. Isto depende da receptividade do seu DNA. Algumas pessoas abrem seu DNA até para coisas novas, outras não. Isto é o fator crítico para que uma característica ou uma nova ideia seja transmitida com sucesso.

Sarah:

Certo, ETs com personalidades agressivas infectaram os humanos, e isto trouxe tendências más para nossa raça. Por que a Raça Central permitiria que isto acontecesse?

Dr. Neruda:

Nós não sabemos.

Sarah:

Mas você disse anteriormente que eles protegeriam nosso planeta com sua melhor tecnologia. Por que não fizeram isso milhares de anos atrás?

Dr. Neruda:

Isto é um mistério. Nós não sabemos.

Sarah:

Presumo que isto deve ser uma outra razão para que Fifteen não confie nos Wingmakers para nossa proteção.

Dr. Neruda:

Ele não fala sobre isto, mas eu concordaria com você.

Sarah:

Eu gostaria de voltar ao assunto Deus… e só para registrar, tenho consciência que estou fora do assunto Wingmakers, mas não consigo resistir. Tudo bem?

Dr. Neruda:

Tudo bem. Posso discutir qualquer assunto que você desejar.

Sarah:

Antes você havia dito que para você, Deus não é só uma força, mas é a força?

Dr. Neruda:

Você quer dizer se Deus é plural ou singular?

Sarah: Sim.

Dr. Neruda:

Deus é ambos.

Sarah:

Ambos?

Dr. Neruda:

Deus está em todos os lugares porque é a força de unificação, mas paradoxalmente, sendo a força de unificação também é único ou singular. Os físicos explicarão que há quatro forças primárias no universo: força forte, força fraca, força da gravidade e força eletromagnética. Estas forças na realidade são facetas de uma força singular, muito mais importante e absolutamente causativa.

Einstein trabalhou quase trinta anos tentando provar isto com sua teoria de unificação, mas nunca encontrou a resposta. Talvez ninguém a tenha. O que tenho é que o Grupo Labirinto – usando sua tecnologia LERM – descobriu esta força. E esta força possui uma consciência inconfundível. Quer dizer, não é nem caos nem ordem. É ambos, e flui entre os dois mundos, caos e ordem, assim como uma onda flui entre a amplitude positiva e negativa.

Sarah:

E nossos físicos podem provar ou contestar isto?

Dr. Neruda:

Não, nossos físicos não podem provar ou contestar o que estou dizendo. Eles estão por demais presos em teorias especializadas que estão em crise.

Sarah:

Que tipo de teorias?

Dr. Neruda:

Assim como mecânica quântica, para mencionar um exemplo.

Quase todos os físicos, independentemente de sua especialidade, diriam a vocês, com toda sinceridade, que a mecânica quântica é uma teoria correta e completa que avaliza nossa compreensão do universo. Mas isto não explica a consciência de uma partícula, e não há condições de detectar os infinitesimais campos magnéticos dentro dos quais essas partículas residem.

Sarah:

Por quê?

Dr. Neruda:

Este não é um assunto para pessoas leigas, Sarah. Eu não saberia explicar de forma que você possa entender. Isto tem a ver com o fato de que nossos físicos tradicionais não dispõem de uma tecnologia de força-amplificação sofisticada que possa descobrir os campos magnéticos extraordinariamente minúsculos e sutis onde partículas subatômicas se aninham, que por sua vez criam uma teia interconectada de circuitos de pensamento. Estes circuitos de pensamento – tomados coletivamente – representam a estrutura exterior da força de unificação, e permeiam a pluralidade dos universos. Os campos magnéticos representam o interior da força de unificação, e eles permeiam a consciência “sem forma” da estrutura.

Sarah:

Certo, entendo seu ponto de que isto não é para uma pessoa leiga. Sinto-me completamente perdida na natureza abstrata desta discussão. Eu pensei que estávamos falando sobre Deus, e agora não estou segura sobre o que estamos falando.

Dr. Neruda:

Mantenha-se focada na força principal ou primitiva. Deus se desacelerou para exibir sua incorporação física nas quatro forças conhecidas sobre as quais falei anteriormente.

Sarah:

Portanto é dessa forma que o universo funciona, e simplesmente eu deveria aceitar isso?

Dr. Neruda:

Não, não, não. Eu não quero deixar a impressão de que o que eu disse é a forma de como a pluralidade de universos funciona. Se há uma verdade que posso afirmar sem medo de errar, é que minha compreensão da pluralidade de universos, enquanto restrito aos instrumentos da física de partícula, cosmologia e matemática, no máximo é parcial, e na pior das hipóteses, inexata.

Sarah:

Bem, isso não nos leva a lugar nenhum, não é verdade? Se o que você disse esta noite é apenas uma compreensão parcial ou um total erro de julgamento, então o que dizer de nossos mais brilhantes cientistas e teólogos? Você tem todas as vantagens de tecnologias avançadas e cosmologia alienígena, e ainda não pode explicar o universo com alguma confiança. Até mesmo com sua prova de Deus, você diz não saber nada que seja absolutamente verdadeiro. Como pode ser isso?

Dr. Neruda:

Ninguém que tenha investido tempo no estudo da astronomia, cosmologia, ou física gosta de pensar que o que estudou está baseado em suposições falsas ou incompletas. Mas está. E há uma boa razão para isso.

Sarah:

Qual é?

Dr. Neruda:

Imagine que o universo observável é o degrau do meio de uma escada de comprimento desconhecido. Cada um dos degraus acima e abaixo de nosso universo observável representa uma ordem de magnitude além de nossos sentidos. Por exemplo, digamos que o degrau acima que representa nosso universo observável é o perímetro exterior de nossa galáxia, a Via Láctea. Usando um telescópio podemos ver o próximo degrau acima de nós, mas o resto da escada está envolto em uma espessa neblina. Olhando para baixo – em um nível microscópico com um microscópio eletrônico – nós podemos acrescentar outro degrau abaixo de nosso universo observável, e com um acelerador de partícula, nós podemos teorizar qual seria o próximo degrau abaixo, mas o resto da escada fica nessa neblina espessa, da mesma forma quando tentamos olhar para cima.

Com toda nossa tecnologia e teoria, nós ainda não temos ideia quão alta é a escada ou mesmo se a escada é reta ou tende a encurvar. Nós não sabemos se talvez o fim da escada encurva para um determinado grau que se conecta com o início da escada. Nem mesmo sabemos se aí teriam outras escadas.

Sarah:

Certo, Imagino onde você está querendo chegar, mas então por que sempre parece que a ciência sabe mais do que realmente sabe?

Dr. Neruda:

A maioria da população do planeta – talvez 99% – não tem nenhum conhecimento além do degrau do meio dessa escada. E aqueles que são privilegiados e podem observar o próximo degrau acima ou abaixo através de tecnologia, falsamente assumem, ou talvez desejem, que a escada mantenha os mesmos princípios.

O ACIO observou outro degrau desta escada – além da tecnologia tradicional. Nada mais do que isso. Porém, ao fazer isso, nos sentimos humilhados pela profundidade e amplitude de nossa ignorância. Nós aprendemos que a escada muda. Começa a modificar sua forma e nós teorizamos que sua forma não é previsível ou mesmo estável.

Sarah:

Mas isso não quer dizer que nossa física esteja errada?

Dr. Neruda:

Gosto muito do que um escritor desconhecido, Gustave Naquet, escreveu: “Sempre que o conhecimento dá um passo para frente, Deus dá um passo para trás”.

Cada degrau da escada pode necessitar de uma física ou um conjunto de leis e instrumentos diferentes. O homem de Neanderthal está errado comparado com o homem moderno? Ele apenas foi o precursor ou protótipo anterior. Assim é a física ou a cosmologia. Isto deve ser entendido como um protótipo válido que tem seu propósito no tempo, mas que será modificado por um novo modelo que inclui mais degraus nessa escada.

A coisa interessante sobre ciência é que as origens revelam como as coisas funcionam. Se você pode rastrear partículas até suas origens, você pode entender como funciona o espaço interno. Se você consegue rastrear as partículas cósmicas, galáxias, quasares e buracos negros até as suas origens, você entende como funciona o espaço exterior. Quando você coloca essas duas metades juntas com o espaço, ou o universo observável, você pode entender como a pluralidade dos universos funciona como um todo.

O problema é que ninguém tem instrumentos ou tecnologia para observar as origens. É nesse ponto que começam as teorias. A diferença entre ciência e religião é que ciência aplica teoria enquanto religião aplica a fé. Ambas, porém, teoria e fé, são insuficientes para explicar as origens. Portanto, nesse aspecto, são semelhantes.

Sarah:

Mas se o que você está dizendo é verdade, então nós vivemos em um mundo que na realidade não entendemos.

Dr. Neruda:

Exatamente.

Sarah:

Se não entendemos nosso mundo, ciência e religião são inadequadas, e agora, para onde vamos? Como vamos conviver com nossa ignorância?

Dr. Neruda:

O perigo da ignorância está em acreditar que não se é ignorante. Se você sabe que lhe falta percepção de dimensões internas de como as coisas funcionam, você sabe que há pontos obscuros. Você pode manter seus olhos abertos para qualquer vantagem que possibilite um insight ou a um mais profundo sentido de entendimento. Você tem que aprender a viver em um estado de incompletude e usar isto como uma força motivadora e não como algo desesperador ou com indiferença.

E agora, para onde vamos? Esta é uma pergunta difícil de responder. Esta é a razão que todos os problemas se tornam enlatados, empacotados e vendidos pela mídia. A mídia está onde a maioria das pessoas está. A televisão, o rádio, computadores, jornais, revistas e até mesmo livros, estão com informações superficiais e pasteurizadas criadas pela mídia. A mídia sabe muito bem que as pessoas são ignorantes – a ponto de não discernirem a superficialidade e a imperfeição das informações que lhe são passadas. A informação é incompleta, e isso afunda nossa população na ignorância, o que possibilita a manipulação.

Sarah:

Por quem?

Dr. Neruda:

Sarah, não existe uma entidade que centraliza a manipulação, se isso é o que você está perguntando. A mídia como um todo manipula as informações. Tudo isso faz parte do problema que leva as pessoas para a mídia para obter respostas, e os cidadãos são responsáveis por esta situação porque não exigem que seus centros educacionais assegurem a total abertura das informações e as torne públicas.

Sarah:

Você está dizendo que nossas escolas e universidades é que deveriam ser divulgadoras dessas informações, e não a mídia?

Dr. Neruda:

No mundo ideal, sim. Isto é como os Corteums projetaram sua estrutura de informação. Os centros educacionais dominam a distribuição de informação por um sistema de jornalismo coletivo, multidisciplinar. Há jornalistas especialistas em teologia, artes e ciências, governo, negócio e tecnologia. Estes jornalistas estabelecem as melhores práticas de cada uma das disciplinas e compartilham esta informação com total abertura. Nada é omitido. A pesquisa é meticulosa e não passa pelo vício político de interesses específicos.

Sarah:

Certo, sendo uma jornalista, finalmente tocamos em um ponto que conheço um pouco. Quando eu era uma repórter, nunca sofri pressão política para influenciar o que deveria publicar e como. Eu sei que em nível nacional – particularmente informando em D.C. – isso poderia não ser exatamente assim, mas as histórias que temos conversado nessas últimas noites, me eram completamente desconhecidas. Isso é um problema real. Estas histórias são totalmente guardadas em segredo. E considerando que nossos políticos nem mesmo sabem sobre a existência do ACIO e todas as outras coisas associadas a isso, como você pode culpar os políticos, ou a mídia?

Dr. Neruda:

Eu não quis culpar ninguém na realidade. O sistema é imperfeito. Qualquer um envolvido no sistema sabe que isso é maior que a vida e não pode ser mudado por uma pessoa ou até mesmo por um grupo das pessoas. A mídia conhece seus limites, e conhece seu mercado. As pessoas querem saber a verdade sobre as coisas que as afetam em seus bolsos. Assuntos como cosmologia, ETs, ACIO, são considerados leitura light para as massas – reservados para o entretenimento – não são notícias sérias.

Sarah:

Isso é qualquer outra coisa, menos notícia light, e você sabe disso. Por que você parece ser tão cínico?

Dr. Neruda:

Se estiver sendo cínico quando falo sobre a mídia, não é nada pessoal com você. Em minha opinião a mídia não vai mudar significativamente até o sistema de ensino não mudar significativamente e produzir estudantes que exijam mais do que notícias do dia a dia, esportes e notícias sobre o tempo.

Sarah:

Portanto, nossas escolas não só deveriam produzir estudantes com gosto para cosmologia, mas que também deveriam divulgar as notícias? Não sei se nossas escolas teriam condições para tanto. Você não acha?

Dr. Neruda:

Talvez, mas isso é o que se precisa para que o ACIO ou qualquer outra organização relacionada possa compartilhar seu conhecimento com as massas.

Sarah:

Por quê?

Dr. Neruda: As universidades, os cientistas de uma forma geral, ficariam extremamente defensivos se o ACIO avançasse e divulgasse o resultado de suas pesquisas, tecnologias e evidências de interações com ETs. Seria atacado. E seria um ataque odioso. Pelo menos era dessa forma que Fifteen avaliava. Então, o ACIO não teve outra saída para levar suas descobertas para o público a não ser através do setor privado e por alianças que tinham com o Laboratório de Projetos Especiais da NSA.

Sarah:

Dê-me um exemplo de algo – uma tecnologia ou descoberta – que foi primeiro descoberta pelo ACIO e então exportada para o setor privado.

Dr. Neruda:

O transistor seria um bom exemplo.

Sarah:

Você está me dizendo que o ACIO inventou o transistor?

Dr. Neruda:

Não, o Bell Labs inventou o transistor, mas o ACIO trabalhou com o Bell Labs, ou mais especificamente, com Mervin Kelly que trabalhava nisso na década de 50. Sr. Kelly estava ligado a um físico brilhante neste projeto, Bill Shockley, que conheceu superficialmente o ACIO.

Sarah:

Como isso aconteceu?

Dr. Neruda:

Um pequeno fato conhecido: Sr. Shockley, trabalhando com um amigo, inventou o primeiro reator nuclear do mundo. O departamento de defesa ouviu falar disto através do Sr. Kelly, e queria isso de qualquer forma. Isto aconteceu antes do Projeto Manhattan iniciar. O Sr. Kelly queria uma patente para a descoberta, mas o governo colocou toda espécie de empecilho. Eles mantiveram toda descoberta sob sigilo e negociaram para ter um de nossos cientistas trabalhando em segredo com o Sr. Shockley.

Sarah:

Quando foi isso?

Dr. Neruda:

Isso aconteceu em 1944 e 1945.

Sarah:

Por que nosso governo foi intolerante com as patentes?

Dr. Neruda:

Eles sabiam que o Sr. Shockley poderia exercer um papel na guerra, e quiseram usar isto como uma alavanca para terem certeza de seu compromisso em ajudar. Ele era um homem difícil para se trabalhar, assim me foi dito. Ele nunca dava um passo adiante ou se oferecia a fazer qualquer coisa a menos que soubesse como poderia se aproveitar disso. Assim, nosso governo reteve as patentes até que ele se alistasse.

Sarah:

E ele se alistou?

Dr. Neruda:

Sim.

Sarah:

E como se beneficiou com isso?

Dr. Neruda:

Havia, dentro de nosso governo, uma agência de inteligência recém formada – era a precursora da NSA. Era conhecida como Laboratório de Projetos Especiais de Serviços Gerais, e hoje muito pouco se sabe sobre essa agência. O SPL (Special Projects Laboratory – Laboratório de Projetos Especiais) foi incorporado pela NSA em 1953 como um departamento não reconhecido, e finalmente o ACIO juntou-se ao SPL como um laboratório de pesquisa não reconhecido. Assim, o ACIO estava dois níveis abaixo ou o que é chamado de Raiz Negra.

Sarah:

Qual era a razão para toda essa segurança? A guerra?

Dr. Neruda:

Isto pode surpreendê-la, mas a guerra não era a grande preocupação, comparado com as forças com que o ACIO estava lidando. A preocupação eram os ETs que poderiam utilizar suas tecnologias em aplicações militares. No início de 1940, avistamentos de OVNIs eram muito comuns – até mais do que hoje. E nosso governo estava convencido que esses avistamentos eram reais e que realmente eram forças de fora do planeta. Eles queriam duas coisas: ou roubar a tecnologia de astronaves abatidas, ou estabelecer uma aliança. Eles não estavam muito interessados em como isso aconteceria.

Sarah:

Mas o que tudo isso tem a ver com Shockley?

Dr. Neruda:

Saí um pouco do assunto. O Sr. Shockley foi apresentado ao SPL e tomou conhecimento de muitas das iniciativas secretas do SPL. Se não fosse por suas características de personalidade, ele teria sido recrutado para se unir ao SPL, pois era brilhante. De qualquer forma, lhe foi permitido acesso a algumas pesquisas relacionadas com transistores, que estavam iniciando dentro do SPL.

Isto foi antes da descoberta do transistor pelo Bell Labs, que foi feita por colegas do Sr. Shockley.

Foi permitido ao Sr. Shockley utilizar algumas das pesquisas dentro do SPL para criar sua própria versão do transistor e tornar-se conhecido como seu inventor. Isto foi feito em troca de sua cooperação para ajudar em operações estratégicas do Exército e da Marinha durante a guerra. Ele sabia sobre o SPL e parte do seu programa, e me foi dito que depois da guerra quis se unir ao SPL por causa de seus sofisticados laboratórios, mas novamente, suas características de personalidade impediram sua admissão.

Sarah:

Portanto, o Bell Labs fica com a patente do transistor em troca da ajuda de Shockley na guerra. O que exatamente ele fez que fosse tão importante?

Dr. Neruda:

Eu não sei com certeza, mas em geral, o seu papel era ajudar no desenvolvimento de armas.

Sarah:

E qual era o papel do NSA nisso tudo?

Dr. Neruda:

O NSA não existia até Novembro de 1952. Nessa época, o SPL e o ACIO eram os dois laboratórios mais avançados e secretos que existiam. E ambos tinham somente um laboratório do setor privado com quem trabalhavam: Bell Labs.

E esta é a razão porque o Sr. Kelly era amigo do diretor executivo do SPL.

Sarah:

Então qual era o relacionamento entre o SPL e ACIO?

Dr. Neruda:

Você quer dizer nos anos quarenta?

Sarah:

Primeiro, há quanto tempo foi isso?

Dr. Neruda:

O SPL foi formado em 1938. Havia um forte desenvolvimento – particularmente na Europa – no campo da desintegração do núcleo atômico (fission energy). O SPL foi inicialmente concebido para examinar a fissão como uma fonte de energia alternativa e também como sua possível aplicação no campo militar.

Sarah:

Por que foi mantido tão secreto?

Dr. Neruda:

No início da década de 30 havia uma significativa turbulência política na Europa, e os EUA não estavam seguros em quem poderiam confiar. Os EUA sabiam que a fissão era a resposta para uma guerra técnica, e não queriam compartilhar esse conhecimento aleatoriamente. Eram também alarmantes alguns súbitos avanços que estavam acontecendo na comunidade de físicos europeus, e sentiam que era necessário concentrar alguns de seus melhores recursos para equipar um laboratório sofisticado, onde seriam alocadas algumas das melhores mentes do planeta.

Sarah:

Como poderia as melhores mentes do planeta de repente serem recrutadas pelo governo norte-americano sem que a comunidade científica percebesse? Como se faz disso um segredo?

Dr. Neruda:

Eles não levaram os grandes medalhões no campo da física. Eles procuraram o jovem, beirando a genialidade, que ainda fosse relativamente desconhecido, mas que sob uma orientação correta e com a melhor tecnologia disponível, poderia produzir algo extraordinário.

Sarah:

Como o transistor?

Dr. Neruda:

Como o transistor.

Sarah:

Assim, se o SPL foi criado em 1938, quando o ACIO começou a operar?

Dr. Neruda:

Foi em 1940, logo após a organização do SPL.

Sarah:

Por quê?

Dr. Neruda:

Em parte porque a administração dentro do SPL temia ser descoberta pelo Congresso, então decidiram montar a Raiz Negra (Black Root), que era o nome código do ACIO, para construir um laboratório que seria intocável por forças políticas ou pela mídia. Por outro lado, não queriam a agenda de pesquisa do SPL competindo com assuntos sobre ETs.

Quando tudo isto acontecia, ETs e OVNIs ainda eram um assunto de grande debate dentro do SPL. A maioria dos líderes do SPL não acreditava neles. Não havia nenhuma evidência concreta.

Mas quando a primeira astronave foi encontrada intata, a cabeça de todos dentro do SPL mudou e decidiu-se que era necessário desenvolver um programa de pesquisa separado, e que isto deveria ser o mais urgente e secreto dos dois laboratórios. Assim, Raiz Negra, ou o ACIO como foi conhecido posteriormente, foi criado por trás do SPL em um nível mais profundo de segredo. Não era reconhecido dois níveis abaixo.

Sarah:

Você está se referindo ao incidente Roswell… sobre a astronave recuperada?

Dr. Neruda: Não. Esta era uma astronave abandonada encontrada em águas ao largo da costa da Flórida em 1940.

Sarah:

Foi abandonada? Quem a encontrou?

Dr. Neruda:

Como diz a história, um mergulhador de fim de semana a encontrou há uma profundidade de sessenta pés, mais ou menos. Estava totalmente preservada.

Sarah:

O que aconteceu com o mergulhador?

Dr. Neruda:

Foi um presente anônimo dado para a Marinha. A pessoa que descobriu nunca foi encontrada. Porém, depois percebemos que a descoberta tinha sido um evento planejado.

Sarah:

Um evento planejado?

Dr. Neruda:

A descoberta tinha sido planejada pelos Corteums.

Sarah:

Portanto esta era uma astronave Corteum abandonada para ser descoberta pela Marinha?

Dr. Neruda:

Foi a forma como imaginaram de como deveria ser o primeiro contato.

Sarah:

Abandonar sua astronave no oceano, e então chamar nossa Marinha para achá-la? Parece estranho!

Dr. Neruda:

Sim, mas foram necessárias três chamadas para conseguir alguém para investigar.

Sarah:

Certo, foi aí que o ACIO apareceu. Quando você foi envolvido?

Dr. Neruda:

Em 1956. Meu pai descobriu uma astronave danificada nas selvas da Bolívia durante uma caçada. Era uma nave triangular, aproximadamente setenta metros de comprimento, quase equilateral. Tinha vinte e seis tripulantes. Todos mortos.

Sarah:

Corteums?

Dr. Neruda:

Não, esta nave foi posteriormente confirmada como sendo uma nave Zeta. Estava em uma missão de espionagem, assim como meu pai, caçando animais. Infelizmente, houve uma pane no voo durante uma tempestade elétrica. Meu pai era um negociante de eletrônica, principalmente para o exército boliviano.

Sarah:

Eu sei que você me contou esta história antes, mas, por favor, gostaria que repetisse para que fique gravado.

Dr. Neruda:

Meu pai recuperou uma tecnologia específica da nave, e então contatou um funcionário militar dentro do governo boliviano. Um amigo em quem podia confiar. Na verdade, meu pai estava interessado em vender a nave ao exército boliviano, mas isso rapidamente se tornou uma preocupação do exército norte-americano, especificamente o SPL. Um diretor do SPL se encontrou com meu pai, verificou o local onde estava a nave, e executou uma completa operação de salvamento em três dias.

Isto foi feito em troca da cidadania norte-americana e um cargo dentro do SPL para meu pai.

Sarah:

Por que seu pai negociou dessa forma em vez de dinheiro?

Dr. Neruda:

Ele sabia que era a única maneira de preservar a sua e a minha vida. Ele reteve o controle de uma tecnologia de navegação que estava a bordo da nave, e passou todo o resto para o SPL.

Sarah:

E o governo boliviano?

Dr. Neruda:

Eles foram muito bem pagos.

Sarah:

E foi isso?

Dr. Neruda:

Nos sete anos entre 1952 e 1959, seis outras astronaves foram encontradas sob circunstâncias semelhantes como no caso de meu pai. Somente uma foi encontrada em território norte-americano. As outras cinco foram prontamente entregues ao nosso exército em troca de dinheiro.

Sarah:

Posso considerar que esses países não queriam ter que lidar com implicações políticas?

Dr. Neruda: Isto, mas eles também queriam dinheiro e um alinhamento amigável com o exército norte-americano. Eles viram benefícios futuros na forma de tecnologias compartilhadas, proteção militar, empréstimos, e muitos outros benefícios intangíveis. Em resumo, foi uma política inteligente. Além disso, nenhum outro país, exceto a União Soviética, tinha um laboratório como o ACIO. O que fariam com essas aeronaves?

Sarah:

Seu pai e você vieram para os Estados Unidos… o que o qualificou para ser admitido no SPL e o que ele fazia lá?

Dr. Neruda:

Meu pai não era simplesmente um vendedor para o governo boliviano, era um perito em eletrônica com o grau equivalente de engenharia elétrica avançada. Ele tinha o crédito de várias patentes, mas era considerado um sonhador e uma alma perdida, eu imagino.

Sarah:

Ele ainda é vivo?

Dr. Neruda:

Não.

Sarah:

Eu sinto muito. E o resto de sua família? Foi só você e seu pai que vieram para a América?

Dr. Neruda:

Eu era filho único. Minha mãe morreu logo depois que nasci. Eu só tinha quatro anos quando nós viemos para os EUA. Eu realmente não tenho grandes recordações de minha casa em Sorata.

Sarah:

Onde fica Sorata?

Dr. Neruda:

Norte de La Paz, bem a leste do Lago Titicaca.

Sarah:

Talvez eu tenha assistido muitos filmes do X-Files, mas parece difícil acreditar que seu pai tenha negociado um trabalho e a cidadania americana com o SPL. Você pode explicar como ele fez isso?

Dr. Neruda:

Ele pediu. Não era uma coisa tão difícil. Era um homem que falava um inglês perfeito, sabia eletrônica, e tinha alguma influência política. Mais importante ainda, ele levou o SPL a uma descoberta muito importante, que valia bilhões de dólares em pesquisa e desenvolvimento. E, meu pai foi suficientemente inteligente para fotografar a nave e seus componentes eletrônicos secretos de navegação. Ele tinha isso guardado cuidadosamente com instruções claras para serem distribuídas, caso alguma coisa acontecesse a ele ou a mim.

Sarah:

Não interprete mal, mas você não disse que apenas jovens gênios tinham sido contratados para o ACIO? Presumo que seu pai não tinha esses predicativos.

Dr. Neruda:

Não, ele não era um gênio. Mas ele era inteligente o suficiente para acrescentar valor a algumas das experiências de engenharia reversa que estavam sendo feitas dentro do ACIO – especialmente aquelas que diziam respeito a semicondutores.

Sarah:

E tudo isto estava acontecendo em meados dos anos 50?

Dr. Neruda:

Sim.

Sarah:

Fifteen estava lá na ocasião?

Dr. Neruda:

Não. Ele entrou no ACIO na primavera de 1958.

Sarah:

Portanto ele conheceu seu pai?

Dr. Neruda:

Meu pai, acredite ou não, se tornou um diretor de alto nível do ACIO logo após sua posse, sem dúvida devido a Fifteen, que teve uma empatia imediata com meu pai. Lembre-se que Fifteen é espanhol. Meu pai conheceu Fifteen, e assim como todos, teve um extremo respeito por ele.

Sarah:

Seu pai fazia parte do Grupo Labirinto?

Dr. Neruda:

Sim.

Sarah:

Quando você descobriu sobre o Grupo Labirinto e sua missão?

Dr. Neruda:

Fifteen me apresentou ao grupo em uma reunião da qual nunca vou esquecer.

Sarah:

Quando foi isso?

Dr. Neruda:

Em 18 de setembro de 1989.

Sarah:

O que aconteceu?

Dr. Neruda:

Fifteen me mostrou um conjunto de tecnologias que faziam parte de um TTP (Technology Transfer Program – Programa de Transferência de Tecnologia) com os Corteums. Ele explicou que essa tecnologia ativava partes do cérebro que fundia a corrente de dados inconscientes com o consciente.

Isto possibilitava um fluxo muito mais potente de dados a serem capturados pela mente consciente.

Sarah:

Você pode explicar como isso funciona?

Dr. Neruda:

Vou fazer o possível, mas é uma explicação técnica. Não sei outra forma de fazer isso.

Sarah:

Tente. Eu aviso quando não estiver entendendo.

Dr. Neruda:

Há uma parte do cérebro conhecida como sistema thalamocortical. A tecnologia Corteum ativava esta parte específica do cérebro, induzindo um pequeno agrupamento funcional dentro deste sistema para expandir a consciência no seu principal comando. Estas são as coordenadas neurais da consciência, que pertencem ao principal comando do raciocínio que é muito útil na investigação científica, matemática e para resolver problemas de uma forma geral.

Tudo bem até aqui?

Sarah:

Mais ou menos. Mas qual é o papel desta tecnologia para o Grupo Labirinto?

Dr. Neruda:

Quando Fifteen se familiarizou com esta tecnologia, foi o primeiro a utilizá-la em seu próprio cérebro.

Sarah:

Sim, agora me lembro. Foi quando ele teve a visão do BST logo depois. Certo?

Dr. Neruda:

Correto.

Sarah: Perseguir o desenvolvimento do BST foi a razão de ter montado o Grupo Labirinto. Certo?

Dr. Neruda:

Sim.

Sarah:

Assim, todos aqueles que foram escolhidos por Fifteen passaram a usar esta tecnologia dos Corteums e tornaram-se mais inteligentes. E ninguém suspeitava da existência do Grupo Labirinto?

Dr. Neruda:

Que eu saiba, ninguém.

Sarah:

Certo, voltemos para sua história com Fifteen. O que aconteceu?

Dr. Neruda:

Todos aqueles que conheciam Fifteen, sabiam que ele estava intensamente interessado em viagem no tempo, mas eu não tinha ideia do grau de intensidade até aquele dia. Ele explicou a física por atrás de seu plano para BST e como os Corteums exerciam um papel vital em seu desenvolvimento. Ele queria me designar para um projeto novo que estava relacionado com o desenvolvimento de BST, e quando ele explicou a natureza do projeto, fiquei descrente, mas ele sentia que eu podia desenvolver o trabalho.

Sarah:

O que era?

Dr. Neruda:

Era um projeto que envolvia planejar e desenvolver uma tecnologia avançada de seleção neuronal (relativo a neurônios) para o cérebro humano; um assunto que eu conhecia muito pouco. Levantei essa questão, mas Fifteen explicou que não era só eu que não conhecia ninguém mais sabia como fazer, e foi dessa forma que assumi a pesquisa. E então casualmente ele explicou a tecnologia Corteum para o desenvolvimento do cérebro. Isto foi quando me disse como todas as pessoas de nível 12 foram convidadas para passar por esse processo.

Sarah:

Presumo que todos aceitaram o convite.

Dr. Neruda:

Com certeza, embora haja algumas desvantagens com a tecnologia.

Sarah:

De que tipo?

Dr. Neruda: A capacidade de informação da mente consciente é muito limitada. Quando você intensifica a conexão entre o consciente e inconsciente, a mente consciente rejeita a amplitude do fluxo de dados de informação e tende a se tornar observacional dos estados alternativos de consciência. Em outras palavras, o processo de desenvolvimento do cérebro dispara uma rápida e fluídica mudança entre estados de consciência, não distinguindo uma imagem em movimento rápido com cada imagem que representa um estado diferente de consciência.

Sarah:

Acho que estou entendendo, mas não seria melhor se pudesse controlar esse efeito colateral?

Dr. Neruda:

Sem dúvida. Houve alguns que foram mais afetados que outros, e dura apenas algumas semanas até que a mente superior começa a integrar sua essência dinâmica.

Sarah:

Certo, acho que isso é o suficiente sobre o cérebro, e gostaria de voltar ao assunto Grupo Labirinto. Você mencionou na primeira entrevista que esta é a mais secreta de todas as organizações no planeta, embora seja uma das mais influentes. Como é possível operar em segredo e ainda exercer toda essa influência?

Dr. Neruda:

O Grupo Labirinto é uma subdivisão do ACIO que é uma entidade absolutamente secreta. Seu principal objetivo era criar uma organização para as tecnologias em estado puro que faziam parte dos TTPs que Fifteen havia negociado com os Zetas e Corteums. Fifteen não queria essas tecnologias dentro do ACIO, pois ficariam muito perto do SPL e da NSA. Ele queria ter condições de revisar, analisar e sintetizar essas novas tecnologias antes de torná-las tecnologias menos poderosas para que pudessem ser exportadas para o SPL ou os sindicatos privados com quem trabalhávamos.

Usávamos as melhores tecnologias de segurança que existiam, ou seja, nossas tecnologias tinham totais garantias contra forças hostis. Isto permitiu ao pessoal do Grupo Labirinto se concentrar em aplicações destas tecnologias em estado puro para o avanço no desenvolvimento do programa BST.

Nossa influência não é entendida por qualquer um, pois conseguimos que essas tecnologias minimizadas fossem mascaradas em tecnologias que são usadas por nosso exército, NSA, DARPA, e sindicatos privados de nossa escolha.

Sarah:

Eu pensei que você tinha dito que o Grupo Labirinto não trabalhava com a indústria privada?

Dr. Neruda:

O Grupo Labirinto não trabalha diretamente com o setor privado. Mas algumas de nossas tecnologias entram no setor privado.

Sarah:

Como o transistor?

Dr. Neruda:

Não, de fato o transistor era mais desenvolvimento do SPL.

Sarah:

Então me dê um exemplo de algo mais recente que envolveu o Grupo Labirinto e o setor privado.

Algo que eu saberia.

Dr. Neruda:

Eu não posso pensar em nada que seria de seu conhecimento. Nossas tecnologias não são cobertas pelo Newsweek ou Time.

Sarah:

Só queria alguma informação que eu pudesse validar posteriormente. A história do transistor, apesar de interessante, não me permite correr atrás. Eu duvido que Shockley ainda esteja vivo. Está?

Dr. Neruda:

Em primeiro lugar, se ele estivesse vivo, nunca divulgaria a influência do SPL em sua pesquisa. E depois, ele morreu há mais ou menos oito anos.

Sarah:

Então o que você poderia compartilhar comigo, mesmo que seja algo muito pequeno, que provaria que o Grupo Labirinto existe?

Dr. Neruda:

Nada. Não há nada que você possa fazer para localizar o Grupo Labirinto. Nossa forma de colocar tecnologias no setor privado é extremamente sutil.

Sarah:

Certo. Mas pelo menos me de um exemplo.

Dr. Neruda:

O Grupo Labirinto desenvolveu um sistema de computador que nós chamamos ZEMI. Parte das características únicas do ZEMI é que sua estrutura de informação está baseada em uma forma nova de matemática para armazenamento de informação, códigos de combinação, e compressão de dados. Era uma matemática que melhorava quânticamente cada uma dessas áreas. E nós compartilhamos isto com os cientistas envolvidos no projeto do MiG-29.

Sarah:

Rússia? Você está dizendo que o Grupo Labirinto trabalha com o governo russo?

Dr. Neruda: Não, nós nunca trabalhamos diretamente com governos. Neste caso, nós trabalhamos com a Empresa de Pesquisa Phazotron e a Companhia de Produção em Moscou. Nós fornecemos um sortimento de algoritmos que eles adaptaram para uso dentro das informações deles e controle de fogo no sistema de radar a bordo do MiG-29. Estes mesmos algoritmos eram descobertas de interesse americano e agora estão sendo adaptados para uso em sistemas de banda larga para o mercado global.

Sarah:

Que empresa americana tem interesse? Você pode me dar nomes?

Dr. Neruda:

Não é uma companhia famosa, mas opera sob o nome de Omnigon, baseada em San Diego.

Sarah:

E a Omnigon tem esta tecnologia que foi desenvolvida originalmente pelo Grupo Labirinto para armazenamento de computador e agora eles estão usando isto para construir sistemas de banda larga? Em termos fáceis de serem entendidos, você pode me dizer o que essas redes farão?

Dr. Neruda:

Assumindo que usem esta tecnologia adequadamente, permitirá a Omnigon melhorar significativamente a funcionalidade nos interruptores da rede ATM e não confiar em soluções de server-side, que aumentarão a velocidade e a funcionalidade de costume de uma rede.

Sarah:

Por minha definição, isto não foi dito em termos para que leigos entendam. Mas não importa.

O Grupo Labirinto criou esta tecnologia ou utilizou fontes oriundas dos ETs?

Dr. Neruda:

Um pouco dos dois, na realidade. Elas foram criadas dentro do Grupo Labirinto, mas a ideia inicial veio dos Zetas, que se inspiraram em uma de suas astronaves.

Sarah:

Como a organização na Rússia obteve esta tecnologia do Grupo Labirinto?

Dr. Neruda:

Fifteen conheceu um dos cientistas seniores da Phazotron e o presenteou com a ideia. Foi um gesto amigável, no qual ele acreditava que seria útil posteriormente para recrutar este cientista. Este método de compartilhar cria lealdade e pode ser feito de tal forma que quem recebe a ideia acredita que a ideia era sua e não simplesmente dada para ele.

Sarah:

Mas você não tem que monitorar estas tecnologias para que tenha certeza que terminaram nas mãos da Omnigon?

Dr. Neruda:

Nós temos agentes da comunidade de inteligência que nos alimentam de informações. Eles na realidade vivem dentro dos maiores laboratórios de pesquisa do governo e do complexo industrial militar. Neste caso em particular, um de nossos agentes da General Dynamic nos trouxe a informação. Nós até utilizamos nossa tecnologia de Visão Remota (Remote Viewing – RV) para monitorar algumas de nossas tecnologias mais avançadas que alocamos dentro dos principais sindicatos.

Sarah:

Talvez devêssemos parar por aqui. Sei que você preferiria manter estas sessões de forma reduzida, embora eu fique muito tentada em mergulhar neste assunto sobre sindicatos.

Há qualquer coisa que você gostaria de acrescentar antes de acabarmos?

Dr. Neruda:

Na realidade, não. Penso que cobrimos muita informação nesta noite sobre minha filosofia pessoal, e insisto, o que foi dito é apenas minha filosofia pessoal. Não estou tentando pressionar ninguém. E com certeza não estou tentando passar uma mensagem religiosa particular ou um estilo de vida. Espero que em nossa próxima sessão, com sua ajuda, possamos nos concentrar nos Wingmakers, e talvez minimize minhas visões pessoais sobre cosmologia.

Sarah:

Eu vou tentar, mas não posso prometer. Eu tinha uma lista completa de perguntas para lhe fazer sobre os Wingmakers, mas no meio do caminho achei que seria mais interessante entender como você pensa.

Amanhã vou tentar o meu melhor para ficar concentrado nos Wingmakers. Você tem alguma sugestão?

Dr. Neruda:

Eu acho que os artefatos são extremamente interessantes, portanto recomendaria que focalizemos este tópico.

Sarah:

Eu farei meu melhor. Obrigado.

Dr. Neruda:

Você é muito bem vinda, Sarah. Obrigado também.

 

Fim da terceira entrevista.

 

6 – QUARTA ENTREVISTA ==>