Quem são as Crianças Índigo?

por Ibiatan Upadian

 

São crianças superdotadas ou com altas habilidades, altamente criativas, autodidatas, conscientes, sensíveis, intuitivas, espiritualizadas, livres, independentes, competentes e muito inteligentes, mas com um tipo de inteligência que foge totalmente aos padrões normais.

Enquanto a humanidade até hoje fazia uso apenas do hemisfério cerebral esquerdo, eles têm a capacidade de lidar com ambos os lados de seu cérebro de maneira equilibrada, harmônica, natural e sem conflitos, principalmente se recebem uma educação apropriada. A humanidade até hoje se limitava apenas ao uso do lado esquerdo de seu cérebro, o que nos dá como característica o uso da inteligência racional e cartesiana, analítica e calculista, linear, sequencial, passo a passo, com somente uma coisa de cada vez, indo do particular para o geral. Eles utilizam mais o lado direito do cérebro que é criativo e intuitivo e fazem uso das inteligências múltiplas, principalmente da inteligência emocional supra desenvolvida, raciocinando através de pensamentos laterais e conexões associativas e holísticas, tendo como base os sentimentos, a afetividade, a intuição, a imaginação, a criatividade e o sexto sentido. Sua inteligência rápida, manifesta-se na forma de flash e é multitarefa, conseguindo fazer muitas coisas ao mesmo tempo e indo normalmente do geral ao particular.

Estas crianças, apenas por apresentarem estas diferentes características, são em sua maioria erroneamente diagnosticadas como sendo portadoras de ADD – Distúrbios de Déficit de Atenção ou TDAH – Distúrbios de Déficit de Atenção e Hiperatividade, dificuldades de aprendizagem, dislexia, autismo, síndrome de Asperger e outras disfunções similares e consideradas por nossas escolas hoje como “crianças problemas”, contudo o problema maior não esta nelas e sim no nosso sistema educacional que não esta preparado para elas, visto que “os problemas de aprendizagem na verdade não são problemas da aprendizagem mas sim dos métodos de ensinamentos utilizados”. (Jacques Delors)

“Note-se que o ensino regular é direcionado apenas para o aluno médio e abaixo da média, deixando de atender as necessidades de um aluno superdotado e com altas habilidades. Muitas crianças superdotadas têm sido penalizadas com poucas oportunidades de desenvolver suas habilidades superiores, principalmente pela limitação de suas famílias e de um ensino de baixa qualidade.” (Dra. Eunice Maria Lima Soriano de Alencar, Doutora em Psicologia)

Alto nível de energia, dificuldade de concentração, dificuldade de seguir regras, isolamento social, dificuldade em fazer amigos e dificuldade em aceitar a autoridade são algumas características semelhantes a distúrbios de aprendizagem, que uma criança com altas habilidades pode apresentar. Essas características devem ser analisadas com muito cuidado para que não seja realizado um diagnóstico errado. Muitas vezes são confundidos com o Autista, Hiperativo ou portador de algum Transtorno de Aprendizagem, como Déficit de Atenção ou até Problemas de Conduta.

Na fase de identificação, os profissionais devem ficar atentos aos aspectos relacionados à criatividade, inteligência, autoconceito, desatenção e impulsividade dos alunos, não confundindo com comportamentos de irresponsabilidade ou de recusa, uma vez que muitas características de alunos com altas habilidades/superdotação podem ser erroneamente interpretadas como dificuldades de desenvolvimento.

Por isso antes de se encaminhar estas crianças a um profissional da área de saúde é conveniente que a mesma seja avaliada primeiro por um profissional estudioso da área de educação, que seja profundo conhecedor das altas habilidades, para avaliar se o problema da criança na verdade não esta apenas no método de ensino adotado para o seu tipo de inteligência.

Contudo, há que se ter certos cuidados, pois os testes de inteligência para avaliar as AH/SD (Altas Habilidades e Superdotação) privilegiam o desempenho acadêmico, não levando em conta pessoas que, embora não tendo escores superiores nestes testes, os compensam com os altos níveis de comprometimento com a tarefa e criatividade; essas pessoas poderão fazer grandes contribuições nos seus campos de atuação.

Segundo Renzulli “há dois tipos de superdotação: a superdotação escolar ou acadêmica e a superdotação produtivo-criativa. A superdotação acadêmica é o tipo mais facilmente detectado pelos testes padrões de capacidade e, assim, o tipo mais convenientemente utilizado para os programas especiais. As competências que as crianças apresentam nos testes de capacidade cognitiva são as mais valorizadas nas situações de aprendizagem tradicional da escola, mantendo o foco nas aprendizagens analíticas. Pesquisas mostram uma elevada correlação entre superdotação acadêmica e a probabilidade de obter notas altas na escola. Já a superdotação produtivo-criativa geralmente se destaca por ser mais questionadora, extremamente imaginativa, inventiva e dispersiva quando a tarefa não lhe interessa, não aprecia a rotina e tem formas originais de abordar e resolver problemas. Ela usa mais o pensamento divergente e isso dificulta sua adaptação em sala de aula e sua avaliação.”(Renzulli, 1999- 2004).

“A ideia da superdotação produtivo-criativa e da Concepção de Superdotação dos Três Anéis surgiu de uma ampla gama de pesquisas sobre a natureza das habilidades humanas que realizei, assim como de numerosos estudos de caso sobre pessoas com realizações incomuns (jovens e adultos), que não teriam sido identificadas ou atendidas em programas especiais se confiássemos somente nos escores de testes de capacidade cognitiva”. (Renzulli, 2004)

“Os testes de criatividade podem perceber os superdotados do tipo produtivo-criativo, que tradicionalmente não são percebidos como portador de altas habilidades no ambiente escolar. Isto acontece por apresentar traços às vezes indesejáveis neste contexto, como pensamento divergente e inconformismo, que geralmente são fonte de tensão e conflito com seus pais e professores. É necessário salientar que a identificação, desde cedo, deste aluno altamente criativo é importante para se evitar um possível fracasso escolar, em função do seu pensamento divergente” (Virgolim, 2010). Muitos destes superdotados do tipo produtivo-criativo hoje estão sendo rotulados erroneamente como portadores da Síndrome do Desafiador/Opositor.

Elas são normalmente crianças muito imaginativas, inventivas, ativas, agitadas, rebeldes, autônomas, livres, independentes e “arteiras” e suas famílias não sabem como lidar com elas e as escolas, que não conseguem segurá-las nas salas de aula por não possuírem um sistema educacional que consiga motivá-las e ajudá-las a desenvolver a sua criatividade, pressionam os pais para que levem-nas aos profissionais de saúde, que por sua vez, receitam como sempre remédios fortíssimos (como Ritalina e outros do gênero tarja preta) que as mantém fora do seu estado natural. Mas pelo que temos observado estes remédios não resolvem o que chamam de “problema” e sim apenas inibem, represam e mascaram por algumas horas a energia e o comportamento da criança dela decorrente, que voltam com maior intensidade após o término do efeito do medicamento.

O uso indiscriminado destes medicamentos tornou-se absurdo e fruto de denúncias de vários profissionais da área, estudiosos de renome, que chamam a isto de “medicalização da educação”. Segundo denúncias destes estudiosos, além dos danos permanentes e imprevisíveis no sistema neurológico destas crianças o uso destes medicamentos na idade escolar, justamente no período do despertar da criatividade e do desenvolvimento de seu potencial e das altas habilidades, bloqueiam definitivamente o desenvolvimento destas capacidades nestas crianças, tornando-os seres apáticos, confusos, dependentes e sem quaisquer perspectivas de vida.

Tudo isto debilita a sua autoestima e as revolta, fazendo com que elas se sintam rejeitadas, se rebelem ainda mais contra os pais e contra a escola, resultando em um número crescente de suicídios, agressões contra professores e colegas, evasão escolar, envolvimento com drogas, álcool e com o crime, violências no lar e abandono do lar (vejam o elevado número de crianças e adolescentes que constam das listas de desaparecidos).

Nós, do Instituto Mensageiros do Amanhecer, contudo não entendemos a ADD – Distúrbios de Déficit de Atenção e o TDAH – Distúrbios de Déficit de Atenção e Hiperatividade como doenças, mas apenas como desequilíbrios psicoenergéticos gerados principalmente pela expectativa, tensão e ansiedade que estes seres trazem, consciente ou inconscientemente desde o nascimento e que são agravadas a medida que crescem ao perceberem as crescentes dificuldades em desenvolverem suas altas habilidades e potencialidades num mundo totalmente adverso, onde na maioria das vezes nem com o apoio dos próprios pais podem contar.

Além deste há outros fatores que também contribuem para estes desequilíbrios psicoenergéticos, tais como o ambiente familiar desarmônico, o stress da vida cotidiana e a crescente pressão social e do sistema educacional vigente sobre os alunos. Um estudante pode ter se destacado em anos anteriores, mas por problemas emocionais, pessoais, ou motivacionais pode estar, no momento, desenvolvendo um padrão de baixo rendimento escolar. Isto não quer dizer que ele seja portador de uma deficiência de aprendizagem. Por isso é importante sempre levar em consideração também o seu histórico escolar e principalmente a opinião dos outros professores e educadores que já passaram pela vida do aluno, antes de simplesmente rotulá-lo de “aluno problema”.

Infelizmente, por esta e por outras razões, algumas destas crianças sucumbem ao peso da responsabilidade de sua missão de agentes transformadores da sociedade e diante da falta de perspectivas, compreensão e apoio que encontram no lar, na escola e na sociedade para desenvolverem seu potencial, tornam-se frustrados, depressivos e alienados ou então agitados e impacientes e até violentos, embora não seja esta a sua índole.

Estas crianças índigo e suas gerações mais recentes são na verdade seres muito evoluídos, altamente criativas, intuitivas, inteligentes, sensíveis, conscientes, com uma inteligência superior, que tem uma outra forma de ver as coisas e de pensar, por isso tem grandes dificuldades de adaptação. Elas tem um tipo diferenciado de inteligência e precisam urgentemente ser amparadas, pois são as sementes de uma nova civilização.

Elas necessitam de um sistema de ensino apropriado que as ajudem a se conhecer e descobrir todo o seu potencial e que estimule o desenvolvimento de suas altas habilidades, respeitando as suas singularidades e colaborando na formação de seu caráter.

Uma escola com um sistema pedagógico Montessori, Waldorf, Construtivista, Centros de Interesses (do Decroly), Freinet e outros, ou de preferência com um pouco de cada um deles, como é o caso da sua Educação Humanista, para que possa atender aos anseios destes seres e estimular o desenvolvimento de todo o seu potencial, habilidades, virtudes, valores, singularidades e livre-pensar e desta forma contribuir para a evolução da humanidade e a construção de uma sociedade mais igualitária e solidária.

Dentre os tipos de superdotação classificados por Renzulli o Instituto Mensageiros do Amanhecer escolheu trabalhar com todas as crianças, mas em especial com os superdotados produtivo-criativos e optou por adotar como sua base pedagógica uma pedagogia própria, criada com base na Educação Holística e outras pedagogias libertadoras, que melhor refletem a sua visão da educação e a sua filosofia de trabalho e também por acreditar que este é o sistema pedagógico ideal e o mais adequado para a educação de todas crianças, em especial destas crianças superdotadas criativo-produtivas, ou com altas habilidades, também chamadas de crianças índigo, as crianças da nova civilização humana.

Assim, muitas das crianças hoje rotuladas como “hiperativas” são apenas crianças com altas habilidades, também chamadas de índigos, contudo, é importante que se frise que nem toda criança hiperativa é índigo e nem toda criança índigo é hiperativa, assim como nem toda criança com altas habilidades é índigo, embora todas as índigos sejam crianças com altas habilidades.

Muitas das crianças e jovens hiperativos são apenas resultado de desequilíbrios de energias provocado pela vida sedentária que levam.

Antigamente as crianças brincavam o tempo todo nas ruas, jogando “pelada”, “taco” e outros jogos, subindo em árvores, muros e telhado de casas, brincando de “esconde-esconde” nos matos dos terrenos baldios e pastos de sítios próximos, nadando nos rios e lagos, empinando pipas, andando de bicicleta, patinete ou carrinho de rolemã, jogando pião ou bolinha de gude, etc. e com isto consumiam as suas intensas energias próprias da idade em exercícios em contato com a natureza, sempre com os pés na terra, descarregando suas tensões e ansiedades naturalmente.

Hoje as crianças, em razão das drogas e da violência não tem mais liberdade para brincar a vontade nas ruas, parques e praças públicas. Permanecem presas em seus lares diante da TV, do computador ou vídeo-game, sem gastar a sua energia natural e ainda sobrecarregando o seu sistema nervoso de energias eletrostáticas irradiadas por estes equipamentos eletrônicos ou então são submetidas a uma estafante agenda diária de aulas de inglês, natação, balé, computação, etc. que lhes toma o dia todo e não lhes dá tempo de relaxar e se introspectar e nem lhes dá oportunidade de ter um contato com a terra para descarregar as tensões do sistema nervoso.

Isto quando não são obrigadas a permanecerem em escolas de período integral com atividades que não correspondem as suas expectativas e anseios, sem falar na grande quantidade de trabalhos e estudos que são passados como tarefas de casa diariamente e principalmente nas férias e feriados prolongados, não lhes dando a chance sequer delas serem elas mesmas ou de terem a oportunidade de estarem sozinhas consigo mesmas ou então de terem apenas um tempo e a liberdade de serem simplesmente crianças.

Apesar do esforço, da dedicação e do trabalho abnegado de muitos profissionais idealistas e verdadeiros heróis anônimos na área da educação, infelizmente a maioria de nossas escolas, através dos métodos adotados pelo nosso sistema educacional, tornam-se cada dia mais ineficientes em promover o crescimento do lado humano e espiritual do ser e acabam por gerar cada vez mais seres totalmente inseguros, sem iniciativas e sem identidade própria, submissos e alienados ou rebeldes e violentos, enquanto no lar os pais cada dia tem menos tempo e paciência de dar um mínimo de atenção para os filhos ou de ter um dialogo mais amigável e amistoso com eles, omitindo-se na maioria das vezes de dar a amorosa educação no lar, por entender que educar é obrigação da escola.

O que estamos fazendo da infância de nossas crianças de hoje? Falta humanismo e calor humano em todas as esferas e os jovens de hoje sentem-se sozinhos, abandonados, renegados e tratados como objetos ou simples número pela família, pela escola, pela sociedade e principalmente pelo Estado. Então por que ter filhos? Por que colocar mais crianças no mundo?

Há nos jovens uma frustração e insatisfação pessoal muito grande e isto gera neles uma ansiedade e uma energia que os transforma em uma bomba pronta para explodir e eles, quando não buscam alivio através das drogas e das bebidas, tornam-se o que a nossa sociedade acaba de rotular de “crianças e jovens hiperativos” obrigando-os a logo cedo já fazerem o uso das “drogas oficiais”, para que permaneçam calmos, obedientes, submissos e alienados, como se esta fosse a melhor solução (bem, pelo menos é a mais cômoda para todos, menos para eles, é claro, mas isto também não esta importando a maioria das pessoas, infelizmente).

Assim, não somos favoráveis ao uso indiscriminado que se faz de Ritalina, Concerta e outras drogas do gênero, por entendermos que o melhor remédio para os males destas crianças é em primeiro lugar oferecer a elas as condições educacionais necessárias para desenvolverem as suas habilidades através da criatividade, da livre escolha e do livre pensar, em que seja sempre respeitada a vontade delas e em segundo lugar, promover o seu reequilíbrio psicoenergético através das terapias alternativas, dos florais, dos fitoterápicos e das medicinas homeopática e ortomolecular.

Aliado a isto, seria muito interessante que os pais aprendessem mais sobre quem são estas crianças e como educá-las no lar, dando-lhes mais atenção e tendo para com elas mais diálogo, incentivando nelas o livre-pensar, ensinando-as sobre virtudes, valores e responsabilidades e dando-lhes limites de forma terna e amorosa, com respeito, bons exemplos, negociação e sem imposições ditatoriais.

 

Esta é a base do nosso projeto, do trabalho que pretendemos desenvolver através do Instituto Mensageiros do Amanhecer.

NOTA: “Não confundir as crianças superdotadas com as crianças que são prodígios em qualquer área de atividade, esta crianças prodígio normalmente vivem fechadas num universo próprio, mas mantêm uma memória extraordinária, assim como uma altíssima habilidade especifica.” (Gardner – Superinteressante 133ª, 1998)

Autor: Instituto Mensageiros do Amanhecer
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